quinta-feira, 30 de outubro de 2014

E eis que chega

"Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá"



comer

parece que não há itália que cure
falta de atenção
parece que você só percebe quando
eu pareço diferente ou indiferente
mudo a minha atenção
o foco não é mais você
daí sentes
mas quando o contrário acontece,
tudo bem
nem sabes o porque da minha estranheza
as pessoas realmente só dão valor depois que perdem
seja algo, ou alguém

Vô, lá na curva o que é que vem?





Eu sempre senti a sua falta, mas de um tempo pra cá, eu tenho sentido muito mais e acho que você (nem ninguém) nem tem ideia de quanto. Acho que é porque tenho precisado de colo e eu adorava ficar no seu, enquanto te ouvia falar e contar histórias. Queria tanto saber por onde o senhor anda, o que tem feito, como tem passado. Queria tanto poder te dar um super abraço, uns beijinhos, te chamar de vô e que cantasse pra mim de novo, de novo, e de novo. Te carreguei no colo, menina. Cantei pra ti dormir. E ah! Me esqueci dos biscoitos e da overdose dosada de açúcar que não chegava nem perto da tua doçura. Tem coisas que eu nunca vou entender*... as tuas, eu nunca vou esquecer.

Lembra da fita da Pocahontas que você me deu? Aquela que era verde? Tinha capa dura amarela? E que eu não parava de assistir? Que você via comigo quando ia lá pra primeira casa? Eu chorei quando tive de me desfazer dela. Lembrei dela hoje. Talvez porque eu queria alguém pra conversar. Ouvi as músicas. Lembrei mais de você. Queria um carinho e te fazer algumas perguntas. Tem uma que eu faço insistentemente, de longe mesmo: Vô, lá na curva o que é que tem? Queria tanto uma resposta pra essa. Minha vida tem sido em curvas. Eu nunca fui boa com elas. Tem umas lágrimas caindo por aqui, mas não se preocupe. Eu estou bem, viu? Se não estou, vou ficar.

O fato d'eu lhe fazer esta pergunta especificamente tem um motivo. Tem vários até, mas um que me preocupa. Que detêm meu amor em frangalhos. Você sabe que eu me tornei durona por aguentar dores de outros amores, não é? (deve ter visto tudo de um lugarzinho especial) Mas nesse meio tempo, alguém me desarmou e eu doei para este aquilo que eu guardava numa caixinha aqui dentro do peito. Engraçado, o conheci segurando uma caixa, só que bem maior que esta que eu levava. Você, com toda a certeza do mundo, era uma das pessoas que eu queria que ele conhecesse. Acho que o senhor iria gostar dele, pelo menos até a parte que ele foi boa pessoa comigo. A outra parte, nem eu gosto e por isso essa pergunta. Eu não quero andar muito, sei que mais a frente tem uma curva, e estou com medo. Com muito mais medo do que tinha. Nunca fui boa ao doar o meu coração. Talvez não seja boa pra muita coisa. Eu nem sei se esse moço me ama mesmo. O problema é que eu o amo, mesmo que menos, eu o faço e fundo. Não sei nadar, mas o raso não me serve. Eu me afogo. Não tenho conseguido retornar a superfície, mas tenho precisado de ar. Ah avô, como eu queria ter você pertinho! Que você me desse uns conselhos ou só cantasse pra mim. Talvez você fizesse assim:




Sabe, avô, eu não sei bem o que fazer e nem se aguento (ou devo aguentar) essa loucura toda. Esse moço nem parece comigo e eu o vejo tão melhor com outras pessoas, o sorriso dele mostra isso, mas ele fala e eu acredito nele. Sinto muito por ele desde 2012. Fiquei sozinha, calada, chorosa até 2013. Ele quis voltar. Fiquei feliz, ele também parecia feliz. Não sei o que houve. Na primeira pressão, cedeu. Não é uma boa panela. Talvez eu não seja uma boa tampa. Devo mesmo ser uma frigideira. Mas sabe vô, eu pensei que ele seria meu primeiro e único namorado (mesmo tendo cogitado conhecer novas pessoas, talvez por medo), aquele que eu ia engatinhar aos poucos pra construir as coisas, construir uma família, que seria um paizão pros nossos filhos, mesmo sendo tão desligado. Hoje eu tenho muito o que por em prova...


I thought our love would be so beautiful
We'd turn the darkness into light




Eu nunca soube de nada, vozinho. Hoje, eu sei muito menos. Mas da minha saudade, eu sei. Seja por você há mais tempo, ou seja por esse moço que eu conheci ou só pelas impressões que ele quis me mostrar. Eu te amo. Sempre lhe terei no coração. Queria, um dia, poder te falar só das coisas boas que estão acontecendo comigo e das pessoas que eu vou ajudar. Aguenta mais um pouco aí e olha por mim. Prometo que dou notícias.

Da sua netinha de coração, sempre querida.

P.s: As músicas que aqui se encontram fazem parte do texto e do meu questionamento. As letras dizem muito, pelo menos pra mim. Pra uma leitura completa, veja os vídeos. Garanto que serão bons.

*http://migre.me/mNt2M 

Vinicius de Moraes e o meu eu

Por que será?
Por que será
Que eu ando triste por te adorar
Por que será
Que a vida insiste em se mostrar
Mais distraída dentro de um bar
Por que será?

Por que será
Que o nosso assunto já se acabou
Por que será
Que o que era junto se separou
E o que era muito se definhou
Por que será?

Eu quantas vezes
Me sento à mesa de algum lugar
Falando coisas só por falar
Adiando a hora de te encontrar

É muito triste
Quando se sente tudo morrer
E ainda existe o amor
Que mente para esconder
Que o amor presente
Não tem mais nada para dizer
Por que será?



quarta-feira, 29 de outubro de 2014

um amigo

- Você é uma pessoa incrível cercada de pessoas legais que te admiram. Fim. Os outros têm suas vidas.

- O foda é quando os outros desalinham a sua, e constroem a deles... felizes.

- Eu sei que é...

em novembro de 2012

só uma aspas, ninguém fica com ninguém sem querer
só esquecera de fechá-la

Arabella

Just might have tapped into your mind and soul. You can't be sure.


Arabella é dessas que merece um texto. Meu centésimo, inclusive. E uma música só pra ela, e roubada por mim pra ver se dá forma. Faz quanto tempo mesmo que conheci Arabella? Menos tempo do que sinto. Na verdade, faz quanto tempo que a reconheci? Já tinha visto-a várias vezes, mas ela só falou com a minha vida quando tinha de fazê-lo.
Arabella é marcada de um sorriso doce e completamente desconcertante and her lips are like the galaxy's edge. Deve ser por isso. Eu nunca senti, de longe, uma risada tão gostosa e uma saudade física. 
Arabella é mansa, por isso vou economizar com as palavras. O sossego que ela me trás é cortado por estas. Tem muito mais coisa guardada pelo silêncio e pelas notas abaixo.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

eu só sei




4 postagens em rascunho, vontade de completá-las, uma puta falta de força e debilidade com as palavras. cabeça cheia e que dói, coração esvaziando. cansaço.
sono, mas diferente daquele que eu tenho ao roçar o nariz no seu pescoço.
aquele que eu tento recaptar sempre que posso.
o mesmo que eu busquei no almoço de hoje e que ao cruzar o meu olhar com o horizonte, perdi.
o cheiro que me acalmava foi o mesmo que me angustiou ao ver outrem que teve bem mais dele.
é difícil me acostumar com o que passou. acostumar não é nem a palavra mais correta.
logo, logo, você se afasta de mim pelo meu não acostumar. o mesmo que antes.
"o medo corta mais mais profundamente do que as espadas."
e eu vou ficar aqui, com uma escrita caída e com as lembranças.
porque as boas lembranças, ao mesmo tempo que servem de acalanto, são as que mais machucam.
boa noite.


glossário




segunda-feira, 27 de outubro de 2014

nós

espero um dia parar de escrever sobre mim
e também sobre você
espero, ansiosa, o dia que eu puder escrever o nós
sem esses tantos que apertam
e fico penosa até esse dia chegar
porque a incerteza é tanta
que talvez não exista o nós
espero então que reste o eu
e o você
e a certeza de um dia termos sido nós

you and i

uma música grude que você me mandou há tempos atrás, provavelmente só pra compartilhar uma coisa nova, que você descobrira. eu já conhecia, mas a cada vez que eu a ouvia, ela ganhava um significado diferente por me fazer lembrar de você. eu sabia que não devia, mas como eu disse, a música era grude. talvez, por aí, você tenha grudado no meu coração e nunca me ensinou a desgrudar. você lembra?


porque tem coisas que eu nunca vou entender

eu esqueci como eu queria ter começado a escrever (era bonito até)
e como queria esquecer outras coisas como esqueci essa uma
acho que nunca estive assim antes
só pormenores, nada chega perto
nunca pensei que fosse ter de enfrentar uma situação assim,
onde apesar dos pesares alguém ainda insiste em dizer que te ama
mesmo depois de tudo, desse tanto
o que é realmente amar? esse tipo de coisa é de cunho amoroso? esquecer a pessoa que se diz amar o é? dizer que nada significou depois de ter o feito? 
em outros casos, os que eu amasse sozinha, seria mais fácil ou não
daí vem as perguntas: por quê?
e daí descubro as coisas que eu nunca vou entender
as coisas pelas quais sempre vou me questionar
a culpa que eu carrego sem ter
as frases que eu ouvi
e as coisas que ouço hoje 
que me levam a confiar, desconfiando
porque a dualidade que as suas frases carregam vez em quando, você não percebe
"eu não fiz nada de errado"
"... e ele disse que tinha namorada. Depois de um tempo, ele deu a entender que estava a fim de mim, eu fui curta e grossa e disse que não fico com caras comprometidos. Passou algum tempo, eu estava encostada no cooler das cervejas bebendo, ele veio na minha direção muito rápido e me agarrou. Eu estava bêbada e acabei ficando com ele. Eu não acho que eu tenha culpa nenhuma dessa situação."
"a culpa é da sociedade"
essa é a cena que mais me perturba quase sempre que penso nisso
o coração fica miúdo e espreme os olhos numa só sístole
e parece que o diabo da diástole não chega nunca e quando chega
o coração no olhar vira cachoeira
sabe,
eu também já fiquei bêbada, mas isso não é pretexto pra nada
fucking nada
acabei ficando com ele (por duas horas?). se fora isso mesmo. o tempo voa e você nem percebe.
sou eu quem trago a culpa nos braços
por não ser sempre a boa namorada
por ser gente
que se chateia
que fica triste
que estava triste com um erro do próprio
que foi um moleque pra reconhecer
e pra aguentar a cruz de seus próprios atos
"acho que ele é um cuzão de ter feito isso com você"
talvez eu realmente não mereça isso
agradeço a sinceridade de ambos, ao menos
mas me pergunto o porque de tê-la adicionado também
por que foi bom?
só pra falar que nada daquilo devia ter acontecido?
pra esquecer as coisas com a pessoa que fazia lembrar?
ah, pra manter contato um alguém legal e começar aquela dualidade de conversa de sempre, que você parece adorar viver?
pra agradecer por ter sido ouvido? por isso a recompensa?
e o que eu ganhei de você por todo esse tempo? aquilo?
por que não terminou logo comigo? só porque eu te dou a certeza que te amo? uma aventura não dá amor? talvez trouxesse um. você quis buscar outra coisa e talvez devesse ter levado esta até o fim. ou só não deu tempo. ela sorriu feliz, enquanto nós ficamos tristes
eu não sei
apesar de minhas ressalvas, ela fora cordial
penso como seria se só tivéssemos passado pela vida um do outro
como foi
talvez você não tivesse feito nada do gênero a outrem e ainda estaria feliz
poucos sabem do quando eu sofri e sofro por gostar tanto de você,
acho que você é o que mais sabe (depois de mim)
eu não gosto da leveza que você acarreta as frases que tem peso
e não falo de agora
eu queria mesmo arrancar tudo o que está aqui e colocar num só texto, mas eu me perco sempre
e tudo aqui é muito para ser passado por simples fonemas
queria num grito me libertar
mas eu grito pra dentro
as coisas já estão tão cheias que pedem pra sair
por enquanto só pela boca
como os pedaços de vidro transparentes que regurgitei pela manhã
meu medo é quando esse transbordar oportunista quiser sair pelo corpo todo
o estômago, reclama
a cabeça, pesa
eu, fraca
talvez eu não saiba viver a vida e toda a experiência e máxima que "a vida é curta e devemos aproveitá-la ao máximo" trás
ou talvez eu só encare essa frase de uma forma diferente de você e dos que te aconselharam
talvez tenha realmente sido muito bom pra você
e você só se arrependeu pelo meu amor e pelo meu sofrer
por você? foi bom mesmo
sou seleta enquanto a conselhos
se não forem enquanto aos meus princípios
eu excluo o "vamos viver, porra!" e o "vai lá e faz"
eu realmente tenho amigos que olham por mim
e que sabem que aquilo que não significou nada, vai significar depois
e vai doer
mas antes de ouví-los, eu me ouço
e você não sou eu
os princípios não são os mesmos
os sonhos se distanciaram
e eu ainda me pergunto o que é o amor pra você?
ou o que te levou a fazer isso?
por que ainda está comigo?
naquele instante, eu não signifiquei nada.
agora, aquele ato não significou nada.
é tudo uma questão de ponto de vista.
a única coisa que eu sei
é que o meu amor por você significava muito
você, significava muito
eu, significava muito mais
e agora eu me pergunto o porque da segunda chance, terceira e quarta
eu esperava que você me dissesse com seus atos ao longo do tempo que estávamos
por todos os meus medos anteriores
agora eu tenho mais medos que antes. não sei se você vai aguentá-los. só espero que não desdenhe deles com mais ninguém. sempre levei medos a sério. só você sabe o quanto foi difícil compartilhá-los. agora eu tenho muito mais
mas a única certeza de todas essas chances
é que tem coisas que eu nunca vou entender

insira algum texto ou quote da sylvia plath aqui ou escreve pra Cheryl Strayed. não consigo me concentrar muito bem e escolher um. cada um se identifica enquanto ao texto pelo momento que sente. eu, nem isso consigo fazer. boa escolha. deixe-a por aqui, quem sabe.

domingo, 26 de outubro de 2014

Fui ver adaptation: 
" A vida é curta e devemos aproveitá-la ao máximo.
E parei.
Ia escrever. 
Não mais quis. 
Até o número de dias que faltam pro enem é menor do que a minha tristeza. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

talvez a grama do vizinho realmente seja mais verde

danilo e clara

me
cansei
de
tanta
des
consideração
esta

até
me
tirou
o
coração
eu
sou
idiota
até
quando
tento
ser
legal
e
positiva.
assim

canso.
deve
ser
o
fim
mesmo.

"open your eyes"

Fui retomar o passado, sempre tive o costume de fazê-lo. Desde julho, esqueci. É sempre boa coisa a se fazer. Acreditei em tudo aquilo desde o começo, mas hoje, de forma mais racional desconfio muito do que li. Odeio pensar no fato de o que me escrevera pode ser repassado a outrem em diversos momentos com significado diferente, meia boca, com desprezo e deboche por parecer uma fraqueza e não uma virtude. Não vou pedir pra você voltar atrás dessa vez, podes descobrir atitudes sem querer que foram desprezíveis e embebidas em ego, não como aquela última conversa, mas que levara a última de forma inconsciente. Uma coisa que você deve aprender: o amor é uma virtude, e das mais nobres. Preze pelo teu e o de outrem. Se não puder o retribuir, respeite-o. Depois, vá.

Tudo parecia ser flor, e a confiança tamanha. Eu não poderia desconfiar de alguém que pedira uma segunda chance e que parecia realmente ser de coração. De alguém que cedia e dava sorrisos de boca e de olhar. Mesmo com medo, eu só podia acreditar.

Eu não sei das tuas conversas, nunca quis saber e agora temo sabê-las. Me pergunto desde quando agiu daquela forma comigo, com ela, com você. Quem é você? O que se mostrava pra mim ou pra outrem? Desde o começo era amor ou jogo? O que você quer? Eu sempre acreditei nas suas palavras. "Eu só quero lhe fazer feliz."

Quais seus princípios? Quais são seus sonhos? Parece tudo tão perdido e distante de um ano atrás. Será mesmo que seus sonhos batem com os meus? Ou você só bateu em você e em mim com eles? Longo prazo. Sonho grande. Quais são eles, menino? Vá buscá-los. Porém, não passe por cima dos outros por eles, reflita antes de concatenar e realizar. Você é impulsivo. Antes de pular, pare. Sente-se. Você é adepto do foda-se, do vamos fazer e viver porra, e só depois pensa nas consequências. Talvez pudesse pensar nelas um pouco antes. Talvez não pra tudo. Eu nunca fui uma boa conselheira.





Talvez depois disso, você possa sorrir os olhos. E sorrir os olhos de mais pessoas ao seu redor, das que realmente te querem bem. Não daquelas que só vem quando o bem acontece. Se orgulhe dos seus feitos, mas contenha-se, depois dele o ego aumenta e você tem sérios problemas com este.




Disso, eu sempre gostei. Sempre gostarei. Até longe. Vou tentar fazê-los sorrir mais, coisa que sempre tentei. 
Ti ami.


Ainda acredito no significado desse filme. Quero fazer com que teus olhos fiquem abertos por muito tempo. O suficiente para sermos felizes, espero que, juntos.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Laura

"L'amore è come la pioggerella d'autunno: cade piano ma fa straripare i fiume."

Lembro de meus dois últimos anos de fundamental com você. Lembro também de lhe ter conhecido antes, por amigos, por gincanas, pelos treinos de handball, onde éramos as únicas esmirradas no meio de gigantes. Lembro do nosso porta retratos e nossa foto impressa. Do ACL e do coração na árvore do colégio. Da nossa formatura. Das decepções amorosas conjuntas. De como você se irritava fácil com aquelas meninas... também pudera. Lembro também da parte que tivemos de nos separar. E essa eu admito, é a que eu menos gosto de lembrar.

Só nós sabemos o tamanho e a importância das coisas as quais passamos juntas. Rindo e chorando. Tendo uma a outra quando se achava que não podia se confiar em mais ninguém. As minhas lágrimas falam agora mais do que eu. Não nos vemos há tanto tempo. A saudade aperta o peito. E você se vai, de novo, apertando o meu. Tinha que ser tão longe?!

Tantos episódios me marcaram com você, mas ano passado teve um que demonstra o nosso apreço contínuo uma pela felicidade da outra, mesmo de longe. Foi quando eu comecei a namorar. Quando eu finalmente concentrei minhas forças num só relacionamento, mesmo morrendo de medo de que não desse certo por evidências passadas. Só nós sabemos o quanto isso já doeu pra Anne e pra Laura. Você ficou tão radiante por mim, quanto eu estava, mesmo não sabendo muito bem onde eu estava me metendo. Eu excluí todas as minhas fotos acompanhadas, não lembro exatamente das palavras que você usou, mas consegui senti amor e positividade de longe. E eu fiquei tão feliz por você poder participar daquele momento da minha vida... Eu sou tão grata por isso, você nem tem ideia do quanto. Eu sou grata pela tua vida e felicidade, pela pessoa que você aprende a ser a cada dia e por tudo que já vivemos juntas. Ainda espero mais coisas pela frente.

Agora é a minha vez de ficar alegre per e con te. Acho que nunca esperamos muita coisa de relacionamentos, ou sempre esperávamos demais e nada acontecia. Quando comecei a caminhar mais sozinha fui entendendo um pouco mais das coisas, acho que você também.
As coisas aconteceram de uma forma tão mágica pra você, que é difícil de acreditar. Mas eu sou imensamente feliz pela forma que elas estão acontecendo e quero que aconteçam muitas outras. Laura, você não sabe o quão apertado o meu coração está por não ter conseguido lhe ver. Choro toda a vez que penso nisso (faço isso agora, inclusive), mas ele relaxa mais um pouco de saber que você está feliz e buscando mais felicidade, bem como bons propósitos. E a felicidade aumenta em pensar que tem alguém que realmente parece lhe amar muito esperando num país que parece uma bota. Por isso, eu peço que calce esse seu futuro e percorra muitas milhas. Se cansar, descanse. Se não adiantar, tire as botas e corra descalça mesmo, pra onde você sabe que sempre vai ter amor. Aqui.

Pra todos os momentos, felizes ou não, eu vou estar com você. Longe fisicamente, mas perto de mente e coração. Felicidades e coragem nessa nova caminhada. Te amo. Muito.



“Amate, amate, tutto il resto è nulla.”

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

imagem e semelhança


e sim, sou eu quem erro demais
nasci ontem
bela juquinhada
cansei-me da letras
e da comemoração de hoje
obrigada pela falta de palavras
não sei me me canso menos
ou se me canso mais
não sou idiota o suficiente
existem mais sorrisos longe
juntamente com as vozes veladas
a itália é na esquina
lá pode ser o meu lugar

itália

São trechos de um filme que eu gosto consideravelmente. Frases maiores pelo contexto as quais elas remetem. Só vendo o filme pra saber e senti-las. Quem sabe, ler o livro. Já escrevi sobre ele, quando um amor me tomou o peito. O vi sozinha, chorei. Mudei. Fora necessário o consultar novamente. Talvez a mudança tenha que partir de mim. Tenho me cansado de atos alheios ou da falta deles. 

A única coisa mais impossível do que ficar era abandonar.

Não sei o que fazer. Preciso de uma resposta.

Toda palavra em italiano é como uma trufa. Um truque de mágica.

Ele não te odeia. O coração dele está partido.

Me dê a chance de sentir sua falta.

Vou para a Itália.

O que almoçou hoje?

Eu tinha apetite por comida, pela vida, mas ele sumiu. Quero ir para um lugar que eu possa me maravilhar. Linguagem, sorvete, espaguete, algo.

Você nunca me pediu pra ficar.

Tudo que é importante demora.

Tudo desaba, querida.

Terapeuta.

Attraversiamo.

Sola.

Dolce far niente.

Qual a palavra para Roma? Sexo.

Talvez seja uma mulher a procura de sua palavra.

Ruínas são um presente. São o caminho para a transformação.

Agradeço a Deus pelo medo. Porque, pela primeira vez, tenho medo que a pessoa próxima a mim seja a próxima a querer ir embora.


como esperado
dormi de pijama grande
e coração apertado
perdi todo ar
até que uma hora ganhei sono
desesperei e pulei da cama, esbaforida
não mais dormi
quando acordo assim já sei
nem precisa se explicar
teu coração e pensamento estavam
em outro lugar
o coração comprimiu tanto
que voltei a dormir
espero que quando acordes,
nem queira mais ficar aqui

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Fun. =D

Reservei esse espaço pra um texto bom. Peguei algumas fotografias, tentei escrever, mas a verdade que esse texto só é bom na minha cabeça, quem sabe, talvez, um dia, eu consiga escrever. Na minha versão, ele é bom por todo o processo de paixão que eu passei (acho que sozinha naquela época), se eu juntar com a sua talvez não seja tão bom quanto era. A verdade é que o texto fala de amor, d'um amor que surgiu na caixa, que está encaixotado no coração e que perambula com as palavras pelo pensamento. O final? Eu não sei. Só não quero ter de encaixotá-lo e mandar pra longe, ou guardar cá dentro.

contorno de um demônio

de certo não dediquei muito tempo e nem muita vontade pra esses contornos,
pra mim, nada amigáveis
esta não é uma rosa importante, quiçá pode ser comparada a uma
Exupéry veio à mente, e se foi
assim como a primavera e o amor dos los hermanos
o livro conta toda a história, a caneca só uma frase que muito deveria se atentar
deve ter esquecido ou não teve tempo de observar,
quase nunca tens
tenho de reler
vários demônios já habitaram minha cabeça, já exorcizei tantos, perdi as contas
mas desse eu ganho poréns e porquês
me sinto tão idiota
nada paga isso, apaga
o brincar com as palavras é hobby conjunto
toda vez que lá ou cá escrevo venho me lembrar disso
me lembro da descrição de ambos
sei, em mente, exatamente como se portastes
da tua cara quando demonstrara interesse
daquela vontade que zunia pelos miolos
da porra de corrida pelo prazer de escárnio
das vozes veladas de incentivo
da conversa apagada
coisas que me impelem de nojo
antes o demônio fosse um monumento,
mas só se fez um em meu pensamento
cabeça vazia, oficina do diabo
coração cheio, multinacional do inferno
o que esconde? ainda esconde?
o que houve de tão interessante?
de tão atraente?
de tão cheio?
de tão vazio?
por que não pensou em mim?
por que tremendamente babaca?
por que tremendamente egoísta?
que lábia fora essa?
gostou disso?
de saber o quão foda podes ser agarrando outrem?
enquanto alguém padece de sono e de amor
qual o tamanho do prazer?
o quão grande foi o tesão?
a corrida pro tudo e pro nada foi boa?
o quanto tempo gasto?
o quão tempo pra reconstruir?
valeu a pena?
quis mais?
quis?
quis
mas não foi nada
não significou nada
e fez com outras
voltou como se nada tivesse ocorrido
talvez hoje se arrependa
mas aqui dentro ainda é doído 
não é questão de vitimizar
mas pelo caminho que percorri com você
talvez fosse de se esperar
eu só esperava um pouco de amor
em troca do que eu dava
porque amor se paga com amor
mas se não era isso que você tinha
eu não podia esperar nada muito diferente
eu só queria um alguém presente

"Depois que eles conseguem o que querem, rapidamente, voltam a ser o que, no fundo, nunca deixaram de ser. Até que outro alvo apareça no radar." 
E esse é só mais um medo. 
Não conta pra ninguém.



Concupiscível


Eu estava bêbada


E eu estou sóbria. Bêbada de tristeza.

Dorminguei

Tentando reconstituir algo, não o antes
este inalcançável
me bateu uma leseira no domingo,
já pela hora de dormir
Já não ligo muito para redes sociais,
mas quando me apego a elas é por ter
gente que vira e mexe me dá mais atenção
do que eu geralmente tenho recebido de você
nos últimos meses.
gente que eu consigo mudar o estado de humor
com palavras e dão valor a isso,
que ri junto e eu deixo chorar quando
querem fazê-lo.
daí o silêncio se instaura, o diálogo vira monólogo e 
eu opino por querer bem
são, em maioria, os amigos que você conhece
são os atos que você já conhece por que sempre
executar com você, mesmo quando me canso
aqueles que eu arrumo forças onde não tenho
sim, esses mesmo
voltando as redes sociais, dia 12 pareceu um dia feliz
pra muita gente
um dia das crianças que não perderam a essência, 
que falaram do amor sem vergonha alguma e como
um presente novo, contaram a todos os amiguinhos o
quão boa é a sensação de estar recebendo aquele presente
e de poder retribuí-lo com mesma intensidade
o presente é imaterial
não que o amor tenha de ser escancarado em redes sociais
o meu, em grande parte do tempo mora no silêncio
no olhar
às vezes nem cabe em mim, 
mas isso é discussão pra outros tempos

5,4 meses de um casal que eu gosto muito
2 anos
1 ano
2 anos de novo
3 anos
3 anos e algo
5 anos de um casal que eu gosto muito mais
Pré wedding de uma amiga do fundamental, que eu me emocionei com as fotos recém tiradas. Senti um vazio, frio, fui deitar

De uns bons amigos
Daqueles que eu (ainda) considero

O tipo de coisa que nunca me incomodou, ou não muito, quase nunca.
Meu direcionamento era outro, sempre fora.
Mas naquele domingo tudo aquilo cortou mais que navalha e ganhou o meu silêncio.
Me lembrara dos 10 meses felizes e acho que quase verdadeiros de todo (tirando as vezes que fui feita de trouxa por algum tipo de auto enganação e/ou sabotagem. pra agradar outrem. por medo e desmerecimento do sentimento que estava sendo criado e trocado).
Me lembra do 1 ano que não tivemos de fato.
Lembrara-me também dos 10 anos que estavam por vir, e que eu confiei (demais), me entreguei demais (porque amor é entrega), sem pesar. Sem o pesadelo do texto de ontem.
Da família que eu queria ter e de como esta virou prioridade da noite pro dia.
Eu nunca rascunhei nada do tipo. 
Pensava obstinadamente na minha carreira, meu futuro com esta, filhos por inseminação (sem pai físico). Escolhi nomes sozinha. Acabei depois riscando um deles pra não ficar repetitivo. Não gosto muito de nomes iguais na mesma família. Percebi depois que escolhi o da minha irmã.
Agora eu não imagino meio metro a frente do nariz.
Fico feliz pela felicidade alheia, ainda é um princípio meu, mas ando tão indiferente que não tenho conseguido seguir em frente pra buscar a minha. Lembro então, dos meus momentos felizes. 
Parece que não me encaixo nos planos que você costura tão rapidamente entrecortando palavras e língua ao falar; as prioridades mudaram e ninguém parece tão feliz quanto antes. 
Pelo menos não é aquela teia de mentiras, uma hora ia mesmo ficar insustentável.
As conversas sempre as mesmas, de um estresse que não me cabe absorvido quase que por osmose. Sempre gostei de te ouvir e apoiar, ainda gosto. Mas vez em quando lembro-me quando eu fazia isso fora do nosso relacionamento e meio que parecia dar certo, a diferença eram os sumiços oportunos. Se eu for retomar um tanto de antes não vai adiantar muita coisa, pelo menos não pra esse texto. Tenho muito da minha vivência guardada. Quem sabe um dia escrevo nossa história de forma vomitada, ao meu ver, por aqui. Com todas as mensagens trocadas ou só com as que me instigam e matam até hoje. Talvez um dia você faça o mesmo, se lembrar de algo ainda. Não sei a que pé digo isso. Por hora, não é hora. 
Isto é sobre o quão meu coração engrandeceu e apequenou-se diante de domingo, e como ganhei o silêncio pela felicidade de outros casais, muitos pelos quais tenho um apreço grande. Sobre me colocar no lugar dos outros por angariar forças pra olhar e lembrar do nosso passado e realizar o futuro, que perdemos no final de agosto. Espero que não de todo. É sobre a minha cabeça pesada e o meu silêncio que assobia. Mas também como é firmar pro mundo  que se ama uma pessoa com coragem e não ter vergonha desse amor, é fazer como quando criança. Não é por ser/parecer fraco. É por ser forte demais,

terça-feira, 14 de outubro de 2014


Cosa può significare sentirsi piccolo
Quando sei il più grande sogno il più grande incubo


24/08/2014

sonhos deviam ser bons, só
se não sonhos, pesadelos
deve ser pelo pesar
peso eu sinto nas costas
sem cessar, pesa na respiração
que se ancora no coração pra ver se dá
por um instante o coração para,
só pra eu voltar a respirar
o pesar do pesadelo foi tanto que acinzentou meu dia,
assim como o pelo dos dois ratos que se escondiam e
nos que eu pisava
nada em sonho era confiável
retifico-me, tinha pesar
pesadelo
num mar de monstros, a única luz era daquele menino
bebê travestido de menino, tão meu, que me acalmava num toque
no balançar de pernas pro ar
tão meu, não seu.
parecia, em sonho, não merecer os genes que de ti carregava
ele me protegia das tuas palavras, meia loucura e daquela outra
que por diabos fazia parte daquele pesar
me travesti de poesia numa certa conversa com ferreira gullar,
aqui no quarto, jogados
ele sumiu
você apareceu
assim que abristes a porta fora só desdém
de uma grossura descomunal, gritos e risos
nem me dei ao trabalho de responder
há tempos não me ouvia
se foi
com você foi aquela que me casou a morte
a única certeza que tenho: era menino

depois de acordar do lugar onde nunca quis estar, só veio a lembrança daquela data. da boa noite de promessas, das fatias de pizza acompanhadas de sorriso e de erros do dia seguinte. a carta que estava no livro que eu te pedi pra ler no dia, e recusastes. coincidentemente ou não, postada no mesmo dia. que lhe fez ferir, que me feristes tão mais. a total parcialidade e amor do dia seguinte. a noite deixada na esteira. o frio que tomou a alma. me pergunto se falta eu saber de algo. odiaria não saber.  da minha noite mal dormida por sentir demais. acordei ao seu deleite e não deitei mais. na manhã, notícia alguma. e quando se anunciou, mentiu. só sabia que não devia ter ido.



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

dá uma vontade enorme de calçar o tênis e sair correndo sem direção alguma, com a urgência de quem quer se encontrar sabe-se lá onde, de esbarrar nas pessoas e tropeçar nos próprios pés e ainda assim levantar, e correr mais com joelhos arrebentados. de parar de salivar e não ter onde pegar água, de ver falha a respiração e desfalecer. chorar por medo de morrer e pedir pra morrer pra não chorar. dá vontade de correr pra não pensar em nada ou pra ver a vida passar a plenos olhos e poucos pulmões. essa vida tá sem fôlego. com menos amor. 

dá vontade de correr o mundo usando além de pernas, as mãos. pra escrever, pra ajudar, pra transformar. aprender a plantar e colher. pra depois ensinar. insinuar menos, ensinar mais. 

tive tanta vontade de fazer um voto de silêncio e viajar pra longe, deixar tudo aqui. tudo, vírgulas, eu não tenho muita coisa além de um coração. pra silenciar eu teria de levar ele comigo, anda fazendo muito barulho além de sístole e diástole. teria de ser de todo. nunca gostei muito de metades.

ao mesmo tempo dá vontade de gritar a plenos pulmões, nem tão plenos assim como eu já mencionei,.mas prefiro preservar minhas cordas vocais com o silêncio da voz e turbilhão de pensamentos. a cabeça já não vai lá muito bem. 

o corpo franzino e meio desfigurado, de padrões tortos e críticas tortuosas, já não aguenta muito mais coisa. a perda de peso, os tremores, as mazelas, as dores. de 2012 pra cá, elas só tem piorado. amenizaram um pouco certa vez, talvez quando feliz. a verdade é que eu sou psicossomática demais porque sofro demais e sinto demais. amo demais a mesma pessoa também. de mais em uns aspectos, de menos em outros. uma balança nada favorável. tenho ditado minhas regras de forma errada. meu sistema imune me autossabota. eu que o faço sofrer demais.

o quão diferente nós somos? o quão impossível tem sido? será que dá? me perco também nos seus sonhos que te batem à mente a todo instante, trabalho e liberdade, grande empresa e sonhos mil. eu não tenho conseguido me identificar com a tua realidade, agora isso tem se tornado mais difícil, um empecilho. eu também perdi meus sonhos no meio do caminho. 




E quando eu estiver sem sono reescrevo esse texto buraquento e acrescento outras histórias de amor. Porque cientificamente, eu já sei o suficiente, mas literariamente as aberturas são maiores e sempre cabe um pouco do outro na nossa vivência. Tenho aprendido bastante com o que tenho lido sobre aflições, questionamentos e vivências de outrem. Talvez o mundo não seja tão ruim assim.

No mais...
tirando generalidades e senso comum, coisas clichês, tem muita verdade no que compartilham por aí, mas pouco significado, pouca prática, pouca reflexão.

"uma mulher,
não se apaixona pelas vezes
que você der um presente.
ela irá se apaixonar pelas vezes que,
você não for ausente e,
tiver coragem de dizer o que sente.
mas lembre-se, não minta
uma hora, o coração honesto
reconhece a covardia"


cansaço

tenho engolido títulos, maiúsculas e vontades
tenho ganhado cansaço em excesso
uma pena cansaço não ser só físico
e vir acompanhado de perda de vontades
não consigo mais analisar nada
minha cabeça é um hospício ambulante
eu sou a louca
pra muitas coisas
é sexta
se fosse pré vestibulanda, estudaria
(e ouviria reclamções por não ter tempo)
se fosse solteira, sairia
se fosse o que sou, cansaria
uma amiga foi dar
a outra beber
e eu vou dormir
três conjugações completamente diferentes
e é assim que eu me sinto frente a tudo
diferente e indiferente
prefixo faz muito pelas palavras
não me faço um sufixo suficiente agora
que dirá uma derivação prefixal-sufixal
tá tudo tão sem gosto
eu molho a flor,
mas não me molho
só me rego de angústia
e me pergunto se o amor é feito pra acabar
algumas colocações ecoam pela minha cabeça,
de coisas que cê falou, e também do que não disse
odeio essa dualidade
dizes que não deve ser
talvez não seja mesmo
você deve ficar feliz com outro alguém
que te lembre menos
que te faça sorrir mais
vai arrumar uma paixão de fôlego
que seja mais bonita
que tenha propósitos parecidos com seus
que abrace seus sonhos
e também os seus problemas
que goste de dançar
ficar muito louca
que fume um
que queira ter filhos, formar família
que pedale
que corra
que malhe
que programe
que converse sobre tudo
que seja uma matraca
que seja mais presente com teus amigos
que não tenha timidez por quase tudo
que não se importe com a sua concentração em algumas coisas
e falta dela em outras
que te ouça mais do que fala
e que talvez até ame
porque é difícil ser tudo isso sem esforço
sem ser só por aparência
talvez eu também
eu só queria tentar sem pesar
ou passar o final de semana em outro lugar
viajar pra fora
porque viajar pra dentro está foda





terça-feira, 7 de outubro de 2014

um dia como outro

risca ali que era pra ter sido escrito dia 06/10, mas esse certamente não era o texto que eu queria ter escrito. nada na vida é como queremos, então esse é só mais o resultado de um dia comum.
esse dia tem significado e você sabe qual. só queria ter escrito um texto conjunto como te pedi no dia anterior e você confirmou. esqueceu. não deu tempo. cansado de esbravejar, fora comemorar.

não acordei muito bem, o misto de lembranças e por ser essa data fora devastador (não de forma ruim). eu já passava mal. você me ligou e o dia clareou um pouco, ainda sim, não era a mesma coisa. prometi ir ao curso, mesmo passando mal. perdi matemática e cheguei pra português. minha única motivação ao ter ido era a incerteza de poder te ver, talvez de surpresa. tinha esquecido como odiava surpresas, na maioria das vezes elas nem aconteciam. nunca me canso de ser ridícula. 

as aulas de literatura sempre são um banho de água fria quando eu não preciso. passado mais de 1 mês sem ir ao curso, chegáramos ao modernismo. a ideia da semana de 22 e dos artistas que participaram do movimento nunca tiveram tão próximos a mim quanto naquele dia 06.
meu professor sabe como tocar almas e explora isso por suas vivências. meteu-me uma poesia de segunda fase. nesse dia fez com Vinicius e seu "Soneto de Fidelidade", aqui transcrito:


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


o amor acaba. será que realmente o amor acaba? será que a sua conexão com a pessoa acaba? será que é amor ou memória do que foi? será que ele quase me fez chorar em sala?
com tantas inquietações e perguntas, sentimentos, eu tentava digerir a informação e ao mesmo tempo uma barra de chocolate, que por todo o meu estado de espírito... estava sem gosto.
meus olhos marejavam, minha cabeça estava mais pesada do que quando chegou e eu mal conseguia me concentrar. parece que o professor me lia e vomitava as minhas emoções em público. depois escrevo um texto melhor sobre a aula e as experiências dele com a ex namorada, pelo qual ele está pronto a ajudar sem pestanejar. eu tive minhas reflexões.

quando saí de lá esperava uma mensagem ou uma resposta, mas não a tive e mesmo assim plantei-me por tempo maior do que eu devia no metrô de Botafogo. uma hora a gente cansa e vai embora, assim o fiz. eu sempre pego o metrô. só não costumo ficar 40 min esperando algo que não vai acontecer, assim como a visita no curso.

não, eu não tenho nada contra a sua amiga, mas ando cheia de comemorações alheias. quer ir? até podia, se não fosse um dia que significasse algo. não queria dividir comemorações. bem, não as tenho desde o dia do meu aniversário. agora também não temos o que comemorar. "eu não estava muito a fim de ir". 

desculpas. eu sempre te desculpei né... por que agora seria diferente?

vamos escrever juntos o texto de hoje?

esqueceu que eu escrevo no papel. queria escrever junto pra desmontar as coisas ruins e ver o que cada um lembra de bom. os arquivos devem bastar.

as horas corriam e eu já sabia o que você tinha escolhido fazer. quando sou eu que fico brava com algo, realmente não vale a pena encarar. mas se é você quem fica sentido, o mundo cai. talvez porque eu sempre tente te tratar bem demais e quando lhe falta o eu te amo, os carinhos e os cafunés, a compreensão e etc, é motivo de desamor. na verdade tinha que ser motivo pra mais amor, mais compreensão, mais entendimento próprio, mais cabeça, mais coração... não é só de alegrias que um relacionamento vive. amar na adversidade é mais difícil mesmo. há muito o que amadurecer.

você ficou puta comigo e queria que eu ficasse bolado? não fosse? não me divertisse?

verdade, eu sempre quis isso. ainda mais no dia 06. só eu que posso ficar da forma que fiquei e comemorar o incomemorável sozinha.

peguei o metrô e vim pra casa. assim como o chocolate, a vida tem estado sem gosto. tinha que fazer algo pra comemorar comigo, já que a outra parte nem sinal tinha dado.
fui tentar comer uma pizza, afinal, adorávamos pizza. escolhi o mesmo sabor da última pizza que comemos juntos, só que em tamanho menor. no dia em que só eu fui pra casa, no dia do não estou muito a fim de ir, do recomeço, de promessas e etc. quis escrever, mas íamos escrever juntos. não, não íamos. já era tarde e eu escrevo no papel.
retomei aos meus velhos sentimentos de comer no silêncio, só em minha companhia. a pizza devia estar maravilhosa, como a última, só não tinha gosto. eu já era amarga o suficiente. tentei ficar feliz. em vão. retornei a casa e poderia dar muito mais detalhes do antes e depois disso. a história poderia ser muito mais rica de versões minhas, mas só é verdadeira. eu não queria escrever, mas é bom deixar registrado como foi meu dia 06. um dia como outro, só com um pouco de confusão e desconsideração.

no final, tudo acaba em pizza mesmo.