segunda-feira, 31 de maio de 2010

nada

Caminhava enquanto anoitecia, não eram nem 7 horas mas tudo estava muito escuro.
Estava escuro e eu gostava de ver minha sombra. Talvez eu só esteja vendo-a como em dias claros, mas
ela parecia mais apresentável.
Estava frio lá fora e meus passos eram agéis e desengonçados.
Sentia o vento frio arfar junto com a minha respiração e entorpecer meus pulmões.
O vento gélido beijava meus cabelos.
Minhas mãos estavam seguras no bolso do casaco.
Eu tinha rumo certo, mas queria não tê-lo.
Minha consciência manifestou-se e se pôs a falar.
Sabia que dali a 5 minutos ganharia companhia e minha conversa particular seria interrompida,
mas não me fazia diferença naquele instante. Eu ainda estava sozinha comigo.
Não que a companhia fosse desagradável, mas eu preferia surtar junto a meus pensamentos.
Nós de pensamentos me consumiam, mas não consegui chegar a lugar algum.
A companhia chegou e estava calada, eu ficava feliz pelo silêncio.
Depois, me envolveu num laço de abraço e se pôs a falar como era previsto, mas não fazia muita diferença,
eu não queria ouvir palavras vazias e minha cabeça entrava em conflito com minhas ideias num só giro.
Voltara aos meus pensamentos.
Era involuntário.
Era preciso.
Agora a minha cabeça dói.
Somente dói.
Minhas palavras cheias agora se tornaram versos vazios e frios.
Impensados e designados ao lugar nenhum.
Explorados pelo nada.

Um comentário:

  1. Como sempre, você escreve impressionantemente bem, Anne.

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Obrigada!