quarta-feira, 15 de junho de 2016


mais uma

de repente
o coração endurece
a voz cala
o engolir é difícil
o silêncio, mata
eu, que já engoli tanto
fiz do silêncio a minha proposta
e o dia seguinte foi pior que a noite anterior
engoli seco
e de novo, fez-se dor

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O céu cinza chorou. Eu também.

Numa manhã cinza, escorrem-me lágrimas.
O passado bateu à porta e eu não consegui despistar que estava em casa.
Minha casa, que parecia mais forte, desabou e eu questionei sobre o meu alicerce.
Reformei a casa, mas esqueci de remodelar a estrutura, esta, em poros.
Havia de cair em algum momento, e caiu, hoje pela manhã.
Talvez o transtorno tenha vindo de ultimamente e com ele, todas as frases que tanto me magoaram e os momentos que nunca pensei em viver. 
Reler. Reler mentalmente.
"Eu tirei o celular da mão dela, não queria que ela visse quem era você."
E todo mundo já sabia quem era eu, inclusive ela. Ficaram amigos.
Não quis expor a outra, mas àquela amada, qual o problema?!
Eu nunca quis olhar pra trás, pelo sentimento que vem atrelado à isso. Eu não escolhi um amor pra isso. 
Eu quis com a força da minha alma esse amor de início, e foi crescendo, crescendo, me absorvendo... Já dizia Caetano: Sonhos. Você foi meu sonho mais bonito, o amor que eu quis estar ao lado e cuidar. Espero que ainda queira ser.
O céu resolveu chorar comigo após visita inesperada. 
As marcas de meu rosto se alinharam com o sofrimento passado, refletindo no espelho o eu de hoje, que não entendo e não gosto tanto, mas faço esforço. Mais vivido e sofrido. Que não desgosto, mas gosto muito pouco. 
Eu já me amei tão mais que é difícil olhar pra mim hoje. Foi um processo tão longo e transformador, que é difícil concordar que todo ele foi embora.
E esse texto, desconexo, acaba assim: Igual a mim. Sem fim.

sexta-feira, 25 de março de 2016

08 a.m

Sabe o mais engraçado de tudo? o aperto no peito, a ansiedade, o acordar assustado e tremido durante a madrugada, nunca foram em vão. O acordar cedo foi indiferente, sem muita surpresa, graça ou saudade. fora condicionado ao breve impulso da escrita, a um - pelo menos isso tenho de responder e a mesma dar-se-á por satisfeita. Ledo engano. A gente perde as pessoas de tantas formas.

quinta-feira, 24 de março de 2016

1,5 km

Hoje eu corri, depois de treinar duas horas de handball, pra ver se tirava da cabeça o que o coração regurtivava. Grande parte pelas cobranças de ontem, que também não pude contar.
Corri 1,5 km e tive orgulho de mim por correr. 
Sempre que eu estou triste ou desapontada, eu penso em correr, mas grande parte das vezes no imaginário. Me imagino correndo na areia até cair de exaustão e de choro. Hoje eu corri de verdade.
Já nas primeiras passadas longas e rápidas me veio o êxtase. De olhos fechados e cabeça fluida, eu fui desenvolvendo. A saudade e o descaso têm me comido por dentro - ao meu ver. Eu não lido bem com isso. Dessa forma, eu percebi que estou muito dependente de você e isso foi o que mais me fez sofrer outrora e talvez desviar dos meus planos primeiros. Nós demos duro até aqui e é difícil assumir algumas coisas, inclusive, que se tivéssemos nos afastado por mais tempo talvez estivéssemos separados e bem. Porém, esse não é o caso. Os e 'se' são muitos.
Eu percebi que o silêncio ao longo do dia me completa e que poucas palavras são piores que o nada, principalmente quando seguidas de alguma rispidez e do dia vazio. O meu escudo se tornou o silêncio, mais ainda: a corrida voraz em silêncio. Nesse ponto, o erro é todo meu. 
O medo que volta a assombrar é natural, passeia sozinho e sabe onde se alojar. A resposta a ele é mais natural ainda, mas ele fala mais alto. Hoje eu sei que não me deixaria viver aquela situação novamente e que me colocaria em frente ao amor outro sem pestanejar. Foi ruim tê-lo vivido, mas necessário para que eu visse que eu sou muito maior do que aquilo e que nunca poderia ocorrer de novo, que eu deveria me colocar à frente do que eu sentia naquele caso, já que o sentimento em questão não fora honrado. Amar independente das circunstâncias, mas trocar amor somente com quem lhe ama e respeita da mesma forma. Parar de se doar demais e sofrer por isso, valorizar o que se sente e nunca mais deixar que te façam parar porque querem que você pare. Seja de falar, chorar ou sentir. Chega de engolir coisas pelo outro, já tem-se demais e de se importar / dar atenção quando você não recebe o mesmo tipo de tratamento. Vivemos de muitas chances, que esta seja então a mais longa delas.
Hoje eu corri 1,5km. Correria muito mais pra te encontrar, mas só se soubesse que na minha situação, o mesmo ocorreria. Eu quero correr na certeza de ter alguém a me esperar com retidão ou em outra realidade, sem ter alguém a me esperar - se for o caso. Agora eu corro pra cama, na espera de alguma mensagem pela manhã - muito antes do meu horário habitual de levantar. E sempre fica aquela dúvida na cabeça, se ainda [...]