sábado, 14 de janeiro de 2012

Maria Capitolina Santiago


Talvez os olhos de cigana oblíqua e dissimulada, por muitos comentado, não passassem de meras bolas de gude feitas de vidro, enriquecidas com desdém.
Talvez houvesse traição ou talvez não.
Olhos chorosos, mas ainda sim envolventes. Inebriantes.
Dicotomia de significâncias e significados.
Pluralidade que afasta gente, que recrimina olhares e que semeia ingratidão.
Páginas chorosas por saudade de um amor infante, mal visto e que hoje são apenas apelos, afagos de um livro e do silêncio de Capitu.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ceifar

num entardecer de dezembro
as coisas tendem a turbidez
entrecortando a crase e ao ponto
passando a língua em vírgulas
entre balbucios e prenúncios agouros
tem-se novamente a escuridão
desamor com a alma sem calma
e um certo ardor em coração
tudo inebria escurece arrefece
e nem mesmo uma prece traria de volta a mim
um dia uma pessoa a qual eu quis assim
sem ponto num conto por um tonto

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

novo jardim

Como sentir o choro por alguém que não conheces?
Como sentir tão grande afago pelo mesmo?
Onde eu escondo a saudade?
Quando essas interrogações sumirão?
Retomo então às saudosas sobrancelhas,
que felicitam-me por assim estar.
Escrevem em mim um pouco mais de saudade
enquanto recolhem o meu pranto a bradar.
Interjeições se fazem constantes tão quantas incertezas.
E por você não é a beleza.
É algo tão maior.
São versos pobres, de rimas falhas, mas em cada grafo
há felicidade, e em cada letra, esconde-se saudade.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

antes do catete


e quando só me vem solidão, eu lembro que encontrei
meu amor no metrô, naquela estação
alguma distância, uns olhares entrecortados
um sorriso bobo, meio de lado
o olhar para baixo no mesmo instante
a vontade de ser falante
o poder do observar
daí veio o afastamento em certo momento
e eis que eu perdi o eixo na Presidente Vargas
sem adeus, sem amor
segui viagem

terça-feira, 25 de outubro de 2011

prudência


eu não tenho por quem chorar
choro pra quem num acaso ouvir
dona prudência me chama num canto
e acalanta, na esperança de fazer-me rir com um causo
desmorono num apego, num abraço de gelo,
num ninho de insônia e ele de longe ecoa:
- sonha, menina sonha, que eu de longe
estou aqui, com vontade de você