segunda-feira, 7 de março de 2011

tábuas corridas

Escrevo tudo de forma desordenada e corrida, mal entendo esses garranchos de receita de médico frustrado.
Mais uma vez eu me perdi no tempo.
O meu peito está acelerando e minha respiração se encontra cada vez mais ofegante. Um breve momento, faltou-me o ar. Respiro fundo, mas me perco.
Asmática.
Minha cabeça parece rebobinar vozes, passos e eu me vejo tonta por mais uma vez.
São tantas vozes.
Acho então que os remédios não estão surtindo efeito.
Uma respiração contundente e um analgésico, em verdade, mais um deles. Ambos prescritos por mim. O diagnóstico é sempre o mais voraz de toda consulta e nesse caso, o passado.
Está tudo girando contundentemente rápido, a escrita acelerada e falha parece mais um borrão no branco do papel em tinta. Uma última arfada.
Me vejo se esvaindo e caio num buraco de mim. Buraco esse com tábuas corridas.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

sem conceito

O lado do avesso era espesso e eu só fui perceber bem depois de deitar no sofá. Fiz o inverso.
Desliguei a TV, mas os reclames ainda estavam em mim.
Minha barriga emitiu um som estranho, o que evidentemente mostrava fome, ou apenas indiferença. Eu não liguei. Que ela consiga suportar o café-da-manhã do dia anterior.
Meu corpo esquelético não tem lá muitas reservas de gordura. Eu devo morrer cedo, sempre tive essa impressão.
Lipídios e mais lipídios.
Eu já nem lembro o que eu queria, me perdi olhando pro ventilador.
Ele gira numa dança compassada, sem conceito.
Ele me devorava.
Além da fome, só ele o fazia.
Já eu, não devoro ninguém.
Não devoro ninguém desde você, desde que eu prometi nunca mais devorar ninguém com amor do fundo do coração.
Fôlego.
Comeram o meu coração.
Sim, me devoraram por inteira e eu gostava de ser consumida. Algo como combustível.
Virei vegetariana.
Sou pálida, um pouco verde, um pouco magra e deveria comer só folhas. Eu virei vegetariana de amor.
Aquelas ondas devoradoras me levaram àquela praia. (sim, a dos seus sonhos)
Eu joguei na praia dos teus sonhos os meus, e com ele a palavra que me lembrava você. lu...y (eu não consigo pronunciar)
Espero que a pessoa que a encontre seja mais feliz que eu.
Eu continuava no sofá e com o café do dia anterior.
Com sorte eu sobreviveria, mas eu a deixei com o mar e estou naufragada em mim.
Sem cor, como a minha tv por hora. Minúscula, antes Maiúscula.
Só um corpo.
Sorte.

domingo, 30 de janeiro de 2011

eu sou só

Desculpem-me, eu sou só
Desculpo-me por não ter ninguém
Desculpo-me por não ser ninguém
Desculpo-me por eu ser só isso tudo
Isso tudo que representa ser nada
Eu não sou eu nem de cara lavada
Mas que merda
Agora eu sou a falante
Frustrante
Desculpo-me por não respeitar a pontuação e por falar palavrão
Eu parei de ensaiar a língua portuguesa e aprendi a ter nojo de burguês
Eu me cansei do francês
Je ne veux rien
E também não vou me importar se essa colocação está correta
Eu deixo gotejar em mim, mas nem as palavras certas chovem para que eu escreva
Agora eu espero só
Agora eu só espero um temporal de palavras em mim

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A última filha do vento

A última folha que cai daquela árvore está finalmente seca. E tudo o que eu posso ouvir é o vento lá fora, assim como você disse que ele viria.
Ríspido. Ele chegou e está aqui, e parece me acompanhar a todo o tempo, não tem sido fácil.
Todos dizem que ele tem duas filhas e que veio buscar a última delas. O vento carrega consigo doze aspectos que o incomodam e banha a cada um de nós com ele. fez questão de atribuir dois males e duas qualidades a suas filhas, sendo um deles a solidão. Ele rastreia os males, envolve-os com sua brisa e com isso chegou até a última de suas filhas. Ela é só. Ela é só um pouco de mim, de você.
Havia um bilhete na porta de minha casa, e o mesmo dizia:  
The shorter story.
No love, no glory.
No hero in her sky.
coloquei-me a pensar sobre quem fora o escritor que tivera a ousadia de descrever a minha vida em apenas três frases. As três frases faziam completamente sentido, foi quando eu vi no canto e rabiscado no verso do bilhete, a palavra daughter. Palavra essa com uma escrita sutil, mas mal desenhada.
Urgentemente arrepiei-me. Aquele vento frio que antes era envolvente, que dançava compassadamente com meus pés, braços e quadris já não era o mesmo. A água estava fria e eu não conseguia parar de olhar para as três frases que diziam-me tanto e ao mesmo tempo pareciam mentir tanto sobre mim.Talvez eu me enganasse para sentir-me bem, ou deixar os outros bem com um sorriso meu. Eu estava pensando tão rápido que mal tinha tempo de organizar tudo em minha mente, afinal, ela já estava desorganizada a tempos...
Rindo de mim. Era assim que ele devia estar, era assim que ele estava. Um vento impetuoso que rastreou-me através da solidão. Antes afável, agora mais vazio e confuso. Mas apesar de tudo, eu não consigo deixar de gostar daquela brisa curta e gélida, por vezes calada e que consegue me levar sempre que vem. Sempre no inesperado ele vem e se faz vento. E eu? sou só a sua segunda filha.
And so it's...




quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A filha do vento

Um texto baseado em fatos reais e inspirado na música "The Blower's Daughter", Damien Rice. Uma música para duas pessoas, um texto para muito mais do que isso. Você pensou no texto tendo-me como inspiração, mas acabou que o texto refletiu parte de você também.

Não sei porque ainda estou me sentindo assim. Você disse que seria exatamente assim. Sim, eu estou te superando e, sim, isso é incrivelmente bom. Nossa história tinha que ser desse jeito; sem um início, mas com um fim. Um fim que me levou qualquer esperança do amor, que retirou todo o brilho da glória e que fez desaparecer do meu céu, meu heroi.
Mas sabe um problema que me invade e consome a cada segundo? Eu não consigo tirar meus olhos de você. Eu só... não consigo tirar minha atenção de você quando você passa. Quando me abre aquele imenso sorriso que eu adoro. Ou quando olha nos fundo dos meus olhos com seus olhos profundos, onde eu sempre quis me perder. Quando você bagunça o cabelo, nervoso. Ou quando abaixa o olhar envergonhado. Eu não consigo tirar meus olhos de você. Nem por um instante.
Mas, é assim que tem que estar. É assim que, como você disse, deve ser. Nós dois esquecemos como é ter um amor de verdade. Aquele amor que é como uma brisa leve acariciando o rosto e bagunçando o cabelo. Aquele que é extremamente agradável, sabe? Nós nos tornamos uma noite bastante chuvosa. Chuva fria. E eu, antes filha do vento, sou filha de trovões e raios agora. Ninguém me entende mais. Acho que ninguém mais consegue. Acho que nem eu mesma. Meus amigos estão ocupados, minhas notas caíram, eu me perco em meio a pensamentos no meio do dia... Virei uma aluna rejeitada. Rejeitada pelos professores, pelos amigos, por mim mesma.
E o que mais me atormenta é não conseguir tirar meus olhos de você. Não consigo simplesmente parar de olhar você tocando seu violão distraído. Não consigo tirar meus olhos de você quando sei que tem algo de errado e ninguém consegue perceber, a não ser eu. Eu não... Não consigo tirar meus olhos dos seus olhos preocupados comigo, porque, pode parecer idiotice, mas não conheço alguém que saiba me decifrar tão bem quanto você. Não consigo tirar meus olhos...
Meu Deus! Por que raios eu não consigo me libertar de uma vez por todas de você? Eu já disse que eu te detesto? Não? Eu te detesto! Já te disse que eu quero deixar tudo isso para trás, de uma vez por todas? Não? EU QUERO! Eu quero muito ter você longe, te esquecer de uma vez por todas e seguir a minha vida. Você poderia me ajudar com isso?
Eu não consigo parar de pensar em você! E você, me dizendo coisas bonitinhas e dizendo que me ama, não ajuda em nada. Eu não consigo parar de pensar em você e isso já se tornou involuntário. Eu não consigo parar de pensar em você quando eu ouço uma música que tem a ver com a gente. Eu não consigo parar de pensar em você quando eu passo por algum lugar por onde passamos juntos. Eu não consigo parar de pensar em você quando eu rio de algo que já rimos juntos um dia... Meus pensamentos... Meus pensamentos... Eles até parecem ser dominados por você. Eu não consigo parar de pensar em você, mas isso vai acabar. Eu não consigo parar de pensar em você... Até eu conhecer uma nova pessoa.

Por: Thy Santana