segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Entra pra ver

Segunda

A inconsistência do que estou sentindo é tamanha que num piscar de olhos o choro vem. Está tudo trêmulo. A comida não me desce e os tremores se tornam constantes, e ainda tenho uma dúvida pelo ventre, que também se move. Eu perdi minha aula de matemática e da língua que tanto gosto. Engraçado, a aula passada fora sobre romantismo. O professor perguntou quem já fora traído e só ele e mais um, ou dois, levantaram a mão. Bem que a aula poderia ser hoje. Eu senti o amor romântico nas 3 fases do quadro.
Como se já não tivesse dificuldades em matemática. Eu vejo meu sonho esvaindo pelas minhas mãos e tudo que eu mais queria era este de volta. O cursinho é bom, talvez eu também seja, mas o que estou sentindo não é. Não tenho mais emocional pra buscar um sonho. E os sonhos que tinha se desfizeram. O amor ainda é maior que tudo, e por isso, como no filme: A dor precisa ser sentida. Talvez eu sinta raiva, mas a decepção é tão maior que envolve todos os meus capilares. Eu só vou lembrar dos bons momentos. Eu só sei que eu realmente não merecia e talvez doa por isso também. E me pergunto: O que é um beijo? Mas depois dessa me vem n perguntas à cabeça. Mas este não veio do nada, estava envolto por n pensamentos. Como você disse, a falta de respeito não foi do nada. 
Os olhos, pelos quais prezo tanto, representam a segunda e a perda de um amor que eu quis continuar cultivando. Mas que me cortou enquanto eu o podava. E o jardim agora é regado a lágrimas, e já não se tem primaveras dentre as minhas estações.


Esse é você.

Inabitável


Os Amantes

Guardei essa pintura de Magritte até quando pude. Pensei em usá-la em 2012, mas decidi preservá-la e eis que a tive como presente de aniversário. Valiosa relíquia de 1928 e hoje já não me vale nada. Já fora tema de provas, assim como O Beijo, de Klimt. Não saberia avaliá-la com o mesmo pensamento hoje, muito menos fazer prova alguma. Meu sonho fora selado naquele dia e não há mais forças pra ele. 
Sempre me perguntei de quem ambos se escondiam: um do outro, dos outros, de si? Continuo me questionando. Só sei que essa pintura gritou e ecoou calada na madrugada de ontem.
Naquele dia eu acordei desesperada lá pelas 03h e não sabia o porquê. Na verdade eu sabia, mas não queria acreditar. Era só mais um sonho estúpido, como você me fizera acreditar. Não era um sonho, era uma sensação desmoronante que amarrava ao peito e por isso eu levantei. Nenhuma mensagem ou ligação. Era uma espera em vão. Sabia que não tinha voltado pra casa. Mas eu engoli todos os meus pensamentos e só queria saber como você estava.
"-Ah, eu não devia ter ido."
Eu calei tudo que eu senti naquela madrugada só pra poder confiar em você, como pedira, e não em todos os meus sentimentos. Eu ainda não acredito que destruíra um amor por um ato carnal e estúpido. E foi por isso que mais uma vez eu descobri o porque d'eu não gostar de doar o meu coração. Porque ele parte. Regenera a qualquer circunstância. Endurece. E o silêncio e a solidão se instauram por tempo indeterminado. Relacionar-se não mais cabe. Eu evito amores. E redescobri o porquê. E a vida é uma só, tem de ser aproveitada. E a interpretação desta última deve ser cuidadosa.


Veja bem, meu bem