sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

two lost horizons

Eu pensava que as águas estivessem enfim tranquilas, afinal, eu não pensava em mais nada.
Antes eu me via perdida em entre dois horizontes, mas depois resolvi escolher somente um.
Talvez o errado, mas sempre é tarde demais para voltar atrás.
Pelo menos pra mim.
O pôr-do-sol se fez para um dos horizontes, enquanto o outro eu tentava apagar raio por raio sem ter muita certeza se era isso que eu realmente queria.
O sol insistia em sair, em querer brilhar e eu sentia falta do pôr-do-sol dele. Derrepente os vi se esvaindo de minhas mãos, o sol não mais fazia meu sorriso brilhar, não penetrava em minhas entranhas, me ofusquei.
Neste momento me calei,e senti que nada poderia fazer para que eu pudesse fazê-los voltar, então minha vida se encheu de nada.
Nem eu, nem os sóis de diferentes horizontes sabem o quanto me faziam bem. É como se eu abrisse um sorriso involuntário ao nascente e poente do sol.
É como se eu fosse feliz sem querer, sem saber.
A distância cala a todos neste momento, e cada vez eu me vejo mais longe dos meus dois horizontes.
Horizontes estes que eu temia amar, que eu temia lembrar e hoje que eu temo esquecer, e ser esquecida.
Agora eu entendo uma frase que eu vi por aí.
Agora eu sei que é fácil esquecer as pessoas, mas é difícil esquecer que essas pessoas nos esqueceram e neste momento acho que isto se faz presente.
A distância antes ingrata por um motivo contente, hoje continua se fazendo ingrata pela tristeza. Ela aproximou quem estava longe e afastou quem estava perto.
Eu me culpo por isso.
Eu me culpo por perder dois sóis de dois horizontes diferentes.
Eu me culpo por perder quem me fez brilhar mesmo não sabendo.
Hoje, eu me culpo por apagar os dois sóis de diferentes horizontes com o furor de minhas lágrimas.


Por: Anne Caroline

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

the bond of happiness

Sentada na varanda com um arco de laço vermelho na cabeça, sinto uma leve brisa tocar meus cabelos soltos, mas o calor continua a incomodar.
Simples transeuntes passeiam pela rua e fico a observar enquanto tento escrever simples palavras em uma folha de papel.
Agora encontro-me estasiada com o aroma de meus cabelos, o vento o espalha e o mesmo exala um aroma agradável e extremamente viciante, impregnando minhas narinas, algo incontrolável e encantador.
Eu nunca reparei nisso.
Ouço as pegadas compassadas da minha cadela pelo quintal, ela me circunda e em instantes se distancia, como se ela somente quisesse ter a certeza de que era eu. Na verdade eu acho que ela tem medo de mim ou sei lá o que, até a cadela?!
Creio que não seja nenhuma espécie de psicopata, estou mais para "a pobre donzela indefesa".
Eu já não costumava parar e observar as coisas, apenas agia com certa agilidade para tudo e muitas coisas ao meu redor passavam despercebidas, até que nesse dia tudo parecia diferente.
Só o fato do laço vermelho estar em minha cabeça algo tinha mudado. Ele se destacou na minha face o que me fez mudar de aura, mudar de cor, despertar interesse em observá-lo no espelho e fazer caras e bocas para saber como ele ficava até mesmo fazendo caretas e para minha surpresa não ficou nada mal, eu gostei dele.
Me sentia a branca de neve sem a fantasia, porém ela estava guardada no armário, o que não vem ao caso agora.
O dia parecia prosseguir vagarosamente e aquele laço mudou meu olhar, fez-me enlaçar em pequenos detalhes que de tão pequenos me fizeram lembrar de como é bom sentir os pequenos prazeres da vida e eu olhei para o céu.
Olhei para o céu e o observei naquele dia ensolarado.
Como era azul.
Como era imenso.
Como possuia nuvens que pareciam pequenos flocos de algodão.
Voltei aos tempos remotos de criança e tentava dar nome as formas das nuvens, tinha uma que parecia um coelho e eu ri.
A quanto tempo eu não sabia o que era sorrir somente por olhar para o céu, admirirar as nuvens, ver os pedestres agindo em um dia normal.
Somente pelo fato daquele arco com um laço vermelho estar na minha cabeça me fiz mais feliz. Parece que ele me fez ver cor em uma tela em branco e aprender que detalhes podem parar o mundo.
Começo a perceber por aí o meu vínculo com a felicidade.

Por: Anne Caroline

Inconstant and extremely adorable

Confuso e compreensivelmente passivo.
Duvidoso e completamente aceitável.
Um jogo ínfimo de palavras podem lhe traduzir, mas não lhe decifrar.
Pensamentos vagam no vazio da solidão e só encontram desculpas para não lhe falar o que realmente se pensa.
Palavras muitas das vezes são irreversíveis e podem arrebatar ambos os lados, mas quem sempre sofre é o lado mais fraco, o que ama mais, o que não pensa.
Tenho receio de avançar com você, talvez o que você diga seja uma cascata de mentiras que só servem para me deixar "afim".
Talvez você só ria do meu sentimento.
Sou só mais um brinquedo, eu sei e sou tola por isso.
Mas talvez você possa falar a verdade e pense como eu.
Um dia alguém terá que falar e talvez tudo isso fique para trás, o medo, a insegurança, o amar e o sofrer, pois talvez você me queira, mas acredito que para você seja indiferente esse querer.

Por: Anne Caroline


Only for today

Quase todos os dias ela é criticada por ser assim.
Não concordam com o que ela faz, diz ou pensa e a cada dia ela se torna mais inconstante e indecifrável.
Seu bom humor e seu sorriso são perdidos com o passar das horas e ela não vê a hora de chegar o sono para que os sonhos habitem seus pensamentos e ela possa sorrir novamente.
Ela admira o nada e tem vontade de chorar, e na maioria das vezes pede asas para voar.
Como ela almeja se perder no azul da imensidão e apenas não olhar para trás, andar com a cabeça erguida sem mais.
Ela procura consolação nos seus textos, mas eles não estão dando conta de tanto sofrimento e suas palavras facilmente são borradas por lágrimas.
Tudo em sua vida ocorre de maneira contrária ao que ela deseja, nem tudo, mas na maioria das vezes.
Será que até no amor tem que ser assim?!
Dar uma chance a quem você não ama para possivelmente tentar ser feliz mesmo sabendo que a pessoa ao seu lado lhe ama, seria me magoar duas vezes mais, se for para ser assim, prefiro poupar outrem da suposta felicidade.
Essa menina que dizem muito bela, que dizem sempre estar com um sorriso mais belo ainda na face, hoje troca esse sorriso por lágrimas e sorri involuntariamente para não aparecer desagradável como um todo para os olhos que a seguem.
Essa menina hoje está crescendo e quer aprender a viver um pouco melhor e sozinha.
Essa menininha cheia de solidão e mágoas que chora copiosamente e já passa despercebida pelos outros às vezes também se faz feliz, mas tudo o que ela quer hoje é ser amada, compreendida, ter poucos e fiéis amigos, e ser feliz junto a eles.
Só por hoje ela quer ter seu belo sorriso de volta e que suas lágrimas deem lugar ao brilho multi-cor de seus olhos.
Só por hoje!


Por: Anne Caroline

sábado, 2 de janeiro de 2010

maybe one poetess

Um dia um amigo questionou sobre a minha inconstância amorosa e me disse:
" - Uma poetisa nunca pode ser constante no amor, ela é sempre inconstante e você é uma."
Eu nunca tinha visto a situação por esse ponto, não querendo me chamar de poetisa, pois não sou, mas pode ser verdade.
Se eu fosse constante amorosamente e decidida, talvez não conseguisse traduzir minha dor em palavras.
Creio que todos os meus textos traduzam um pouco do meu sentimento, e na maioria das vezes eles se fazem imprecisos e dolorosos.
Talvez essa inconstância seja mera coincidência, coisa do destino ou não sei o que.
Não me ache um cordeiro masoquista, mas gosto da dor ao escrever, do transbordar de sentimentos, das lágrimas brotando do canto dos meus olhos que vão escorrendo pelo meu rosto até cairem no papel e borrarem involuntariamente as palavras ali escritas.
Quando pareço bem e estável não consigo escrever, meu cérebro se compara a uma folha em branco na qual não há nada para ser escrito e ali ele permanece inerte, como algo extremamente tedioso, aí pronto, uma voz fala: "- QUE SE FAÇA A CONFUSÃO."
Parece que preciso de uma dor para seguir em frente, mas sempre acabo me ferindo demais, o que era para ser um propósito de existência acaba se tornando um motivo para a depressão.
Acaba parecendo que sou eu que quero isso, mas acredite, é involuntário e extremamente doloroso.
Já sofri por um, por dois ao mesmo tempo, por aqueles que sabiam, por aqueles que nem desconfiavam, já sofri por amar quem não me amava e por não amar quem me amava, já sofri por amar demais e amar de menos quando mais se precisava, mas mesmo assim, hoje eu continuo sofrendo por quem não conheço.

Por: Anne Caroline